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Como se fosse a última ceia por P. Fábio de Melo

Posted by Aline Zamboti on 21:07
Eu acho que a gente vive tão mal, que às vezes a gente precisa perder as pessoas pra descobrir o valor que elas têm. Às vezes as pessoas precisam morrer pra gente saber a importância que elas tinham, e isso aconteceu uma vez na minha vida.

Estava eu na minha casa, de manhã, quando recebi um telefonema dizendo que minha irmã estava morta. Minha irmã mais nova, cheia de vida... de repente não existe mais.
Fico pensando assim, que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído seja esse: quando na vida nós já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa, o inferno talvez seja isso - a impossibilidade de mudar alguma situação. E quando as pessoas morrem, já não há mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, mortos não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós que os amamos.

Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me ligado. Foi a última vez que eu falei com ela, e eu me recordo que naquele dia eu estava apressado, com muita coisa pra fazer, e fiz questão de desligar o telefone rápido. Sabe quando você fala, mas fala na correria, porque você tem muita coisa pra fazer? E foi assim... se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de ver minha irmã, de olhar nos olhos dela, de falar com ela, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando a vida é assim, e você sabe que é a ultima oportunidade, você não tem pressa pra mais nada. Já não há mais o que eu fazer, e essa é a beleza da última ceia de Jesus.

Não há pressa, o momento é feito para celebrar, a mística da última ceia está ali, Jesus reúne aqueles que pra ele tinha um valor especial, inclusive o traidor estava lá.

E eu descobri com isso, com a morte da minha irmã, que eu não tenho o direito de esperar amanhã pra dizer que amo, pra perdoar, para abraçar, dizer que é importante que é especial.

O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu sei que existe, e às vezes, na vida, nos perdemos... Eu me lembro quantas vezes na minha vida de irmão com ela, nós passávamos uma semana sem nos falarmos, porque houve uma briga, uma confusão. A gente se dava o luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem 5 minutos pra conversar com alguém que foi importante, que foi parte de mim.

Não espere as pessoas morrerem, irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua história. Se hoje você tivesse que realizar a sua última ceia, porque é conhecedor que hoje é o último de sua vida, certamente você não teria tempo pra pressa. Você celebraria até o fim, e gostaria de ficar ao lado de quem você ama.
Viver o cristianismo é fazer a dinâmica da última ceia todos os dias. Viva como se fosse o último dia da sua vida; viva como se fosse a última oportunidade de amar quem você ama, de olhar nos olhos de quem pra você é especial.

E depois que minha irmã morreu, um tempo bem passado, eu descobri porque eu gostava tanto dessa música que vou cantar agora. Ela não fala de um amor que foi embora; o compositor fez para a filha que morreu em um acidente; então, fica muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está no meio das palavras, porque é assim, quando o outro vai embora é que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava.

“Não sei por que você se foi,
Quantas saudades eu senti,
E de tristezas vou viver,
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou a minha vida
Viveu, morreu
Na minha história;
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo
desta sombra
Em sonho vejo
este passado,
E na parede do
meu quarto
Ainda está o seu retrato.
Não quero ver pra
não lembrar,
Pensei até em
me mudar...
Lugar qualquer que
não exista
O pensamento em você...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...”

Agora o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo no passado, a pessoa já morreu, já não há mais o que fazer. Mas não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nós sem deixar nenhum ensinamento...
Tem que nos ensinar, não dá pra sofrer em vão. Alguma coisa a gente tem que extrair...

Extraia o sofrimento e descubra o ensinamento. Se ele algum dia me tocou e me deixou algum ensinamento, eu faço questão de partilhá-lo com você agora. Depois da morte da minha irmã eu faço questão de viver a vida como se fosse o último dia.
Já que o passado é coisa do inferno, e a gente não está no passado, muito menos no inferno, resta a possibilidade de mudar o verbo, de trazê-lo para o presente e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais. Quem sabe cantando pra ela nesse momento...

Se ela está ao seu lado, se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém que faz diferença na sua história... Ao invés de você dizer que gostava, você diz que gosta!
Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos amar as pessoas antes que elas vão embora!

E eu..
Eu gosto tanto de você! Eu gosto tanto de você!


"O diabo fica nas esquinas da vida nos mostrando o que não fizemos, ao passo que Deus, segura em nossas mãos e nos mostra o que ainda pode ser feito"

Texto escrito pelo Padre Fábio de Melo.

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Sobre xícaras

Posted by Aline Zamboti on 23:10
Não sei quem é o autor, mas muito legal... há de se pensar.

Um grupo de ex-alunos, todos muito bem estabelecidos profissionalmente, se reuniu para visitar um antigo professor da universidade. Em pouco tempo, a conversa girava em torno de queixas de estresse no trabalho e na vida como um todo.

Ao oferecer café aos seus convidados, o professor foi à cozinha e retornou com um grande bule e uma variedade de xícaras - de porcelana, plástico, vidro, cristal; algumas simples, outras caras, outras requintadas; dizendo a todos para se servirem. Quando todos os estudantes estavam de xícaras em punho, o professor disse:


Se vocês repararem, pegaram todas as xícaras bonitas e caras, e deixaram as simples e baratas para trás. Uma vez que não é nada anormal que vocês queiram o melhor para si, isto é a fonte dos seu s problemas e estresse.

Vocês podem ter certeza de que a xícara em si não adiciona qualidade nenhuma ao café. Na maioria das vezes, são apenas mais caras e, algumas vezes, até ocultam o que estamos bebendo. O que todos vocês realmente queriam era o café, não as xícaras, mas escolheram, conscientemente, as melhores xícaras... e então ficaram todos de olho nas xícaras uns dos outros.


Agora pensem nisso:

A Vida é o café, e os empregos, dinheiro e posição social são as xícaras.
Elas são apenas ferramentas para sustentar e conter a Vida... e o tipo de xícara que temos não define, nem altera, a qualidade de Vida que vivemos.
Às vezes, ao nos concentrarmos apenas na xícara, deixamos de saborear o café que recebemos.
Deus coa o café, não as xícaras...
Saboreie seu café!

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Falta uma coisa

Posted by Aline Zamboti on 22:29
Imaginava (tolinha eu) que depois do dois as pessoas amadurecessem de tal forma (nem precisa ser tanto assim) que adquirissem uma coisa. Algo simples. Nada demais que todo mundo tem, ou deveria ter. Sabe quando você deixa de ser um “rebelde sem causa”? Ou melhor, um rebelde desesperado, que não conhece tempo, porque convenhamos, adolescente não sabe olhar no relógio, muito menos contar que o dia tem 24 horas, a semana 168h, e o mês então, umas 720h. Enfim, quando você aprende a ler o relógio (o relógio digital ajuda nisso) começa a entender que mesmo o mundo podendo acabar daqui 15 minutos, a maior probabilidade é de que não, de que sim, amanhã você terá que acordar cedo para ir trabalhar.

E é ai que tudo começa. Eu achava de verdade que depois que as pessoas já passassem a sentir o peso do 2 nas costas, começariam a ser menos desesperadas, menos afobadas e com um pouquinho menos de memória.

Falo isso porque (vão me matar, dizendo que puxo saco de professor, mas pior que não, é que nem a frase do grande Bob Marley, "Minha música defende a verdade. Se você é negro e está errado, você está errado. Se você é branco e está errado, você está errado. Se você é índio e está errado, você está errado. É universal") houve um caso na sala de aula. Nem tocarei no assunto detalhadamente porque eu realmente tenho medo de apanhar, ainda mais quando as pessoas são maiores que eu ahahaha. Cito esse caso, porque ele contrariou todas minhas teorias sobre o começo da maturidade. Quando falo em desespero faço referência quando as pessoas ainda acham que o mundo acabou por causa de uma pequeníssima e minúscula coisa. Mesmo que fosse do tamanho de um Chokito, gente, calma! Respirem. Inspirem. Isso. Olha só, mais oxigênio na cabeça, mas fácil de fazer assimilações com a realidade. Pareço uma velha escrevendo mas, quando exageramos certas coisas começamos a ver tudo em dobro e azul escuro (não há nenhum significado teórico por trás disso, mas explicarei). Em dobro porque as coisas acabam parecendo maiores do que são, e azul escuro porque mudam de sentido resultando num sentimento diferente (ai sim tem uma base teórica, as cores remetem a sensações, azul escuro, é considerada uma cor romântica, talvez porque lembre a cor do mar, no entanto é uma cor que se associa a uma certa falta de coragem ou monotonia, segundo o site http://olhandoacor.web.simplesnet.pt/significado_das_cores.htm).

Afobadas, como meu grande amigo Michaelis disse, é atrapalhação e pressa. Ou seja, nada na pressa sai bem. Há aqueles que só conseguem fazer a coisas sob pressão e de última hora, mas se houvesse um planejamento ou apenas um tempo para pensar antes, sairia muito melhor.

E um pouco de memória seria ótimo. Pois é, rancor é uma coisa tão forte e tão presente nas pessoas. Entendo completamente sua existência, mas há horas, na maioria delas, que a melhor coisa seria bom um pouquinho de esquecimento. Pessoas erram, pessoas aprendem, pessoas mudam. Assim, num processo vicioso e contínuo.

O que aconteceu em minha sala e a prova do professor teve falta dessa coisa que falei, o senso, o bom sendo, de ambas as partes. Novamente meu amigo Michaelis diz:
1 Faculdade de julgar, de raciocinar; entendimento. 2 Siso, juízo, tino. 3 p us Sentido, direção. S. comum: a) modo de pensar da maioria das pessoas; noções comumente admitidas pelos homens; b) Filos: sentido central de coordenação dos sentidos próprios; c) Filos: fundo imutável e espontâneo do espírito cuja forma reflexa é a razão. S. estético: faculdade de apreciar a beleza. S. íntimo: a consciência. S. moral: a consciência do bem e do mal.
Nem preciso falar, esse cara já disse muita coisa.


Para encerrar a bíblia escrita a cima, vai um pensamento..
Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si próprio. (Pitágoras)

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