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Quando alguém vai embora

Posted by Aline Zamboti on 23:14
Comprido, mas é o que eu ando pensando muito nesses últimos tempos. Texto indicado por uma pessoa muito especial.


Quando nos afastamos de alguém de quem gostamos, mesmo sabendo que essa pessoa está bem, experimentamos um sentimento de perda. Por que isso acontece, mesmo sabendo que não há perda de verdade?
Eugenio Mussak

Cheguei a Uberlândia para proferir uma palestra para pais e professores de um colégio local. Uma simpática professora me esperava no aeroporto e fomos conversando sobre o ambiente escolar, sobre a alegria dos alunos, suas dificuldades, sobre a indisciplina, a comunicação entre gerações diferentes, coisas assim. A palestra seria à noite, mas eu havia pedido para conhecer o colégio, pois tínhamos algum tempo.

No caminho ela me disse algo curioso, como que preparando meu espírito: “Não estranhe, professor, nosso colégio normalmente é muito alegre, mas hoje o ambiente está triste. Provavelmente você vai ver algumas alunas chorando”. Não consegui não estranhar o comentário. Quando perguntei o que tinha acontecido, ela explicou: “É que é o último dia da Candice, uma aluna de intercâmbio do Canadá. Ela está indo embora amanhã”.

E ela tinha razão. Em vários momentos senti a tristeza no ar, como se houvesse um luto. A Candice devia ser muito querida, pois sua despedida estava repercutindo em todo o colégio. Era o mês de agosto e ela tinha que voltar à sua terra, onde as aulas começam em setembro. A menina voltaria para Vancouver, a bela cidade da costa oeste canadense, e o colégio de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, seguiria sua rotina, mas não seria mais o mesmo. Candice teria deixado uma marca na vida de colegas que tinham se acostumado com sua presença, sua alegria. A poderosa marca da amizade.

Durante minha palestra não pude não me referir ao fato. E lembrei que um colégio é uma espécie de entreposto de emoções, pois por ali passam anualmente alunos, professores, pais, funcionários, criando um ambiente de convivência, com idiossincrasias, alegrias e tristezas. E de repente vêm os fins de ano, as formaturas, e com isso as alegrias dos novos ciclos e as tristezas das despedidas.

Os garotos e garotas de certa forma estão sendo preparados para o que se repetirá ao longo de suas vidas. Encontros e separações, afinidades e desencontros. Pessoas que invadem nossa alma como posseiros, semeando ilusões que se dissolvem quando ouvimos um “Tchau, estou indo embora!” Como assim? Você me conquistou, tornou-se meu amigo, uma pessoa importante que agora simplesmente vai embora?

Você é responsável por mim – diria o Pequeno Príncipe –, pois você conquistou minha amizade e afeto. Agora assuma sua responsabilidade! Eu bem que gostaria, mas é a vida que não deixa. Ela tem uma lógica própria que não respeita os viventes – responderia o homem grande. A lógica da vida é que temos que seguir nossos rumos, fazer nossa parte dentro do grande agrupamento humano. A vida segue seu curso e nós fi camos chorando nossas perdas nas esquinas, mesmo sabendo que há novas conquistas ao atravessar a rua.

Percebemos, então, que havia um clima estranho entre nós, como se os sentimentos estivessem embaralhados. E estavam. Foi quando um colega, estressadíssimo, entrou no vestiário dos plantonistas proferindo palavras de desabafo, todas impublicáveis. Outro colega, então, fez um comentário lento e profundo: “Sabe, vou sentir muita falta de seu mau humor, meu caro”.

O riso foi geral e o primeiro colega teve que aguentar muita gozação. Mas depois nos detivemos a pensar se seria mesmo possível sentir falta do mau humor de alguém. É claro que não era da cara de azedo que o colega estava portando naquele momento que sentiríamos falta. Era dele. Com todas as qualidades e defeitos que ele e todos nós temos. Seu desabafo naquele momento não era só seu, era de todos nós, pois ele era um de nós. Alguém do grupo, da tribo que tinha passado seis anos junta, estudando, sonhando, brincando, jogando bola, tomando cerveja.
Seis anos que, quando se tem 20 e poucos, parecem muito mais. Entramos calouros ingênuos, felizes, mas excitados com a expectativa do curso de medicina que começava. Estávamos saindo doutores, também ingênuos, também alegres, e também excitados com a expectativa da vida pela frente.

Nesse tempo experimentei o espírito de coleguismo verdadeiro. Eu estava feliz com o fim de curso e com o começo de uma nova vida, mas como faria para viver sem a presença da amizade constante deles? Eles estavam indo embora, todos estávamos. Alguns ficariam na cidade, outros não. A tribo, enfi m, estava se espalhando pelo planeta. Agora era cada um por si.

Não sei onde está a maioria de meus amigos. Não sei se tiveram carreiras brilhantes, se casaram, quantas vidas salvaram. Talvez alguns já tenham partido definitivamente. Mas, por outro lado, sei, sim, onde eles estão. Em minha memória, e em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer por ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem hoje sou, este conjunto de retalhos da vida que passou... e que segue

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Posted by Aline Zamboti on 21:49 in , , , ,

Querer resolver as coisas nem sempre é a melhor solução. Acabamos sempre magoando um dos lados. O pior não é quando esse lado é o nosso, e sim, quando esse lado é de quem é querido.

Pior ainda é quando fazemos as coisas por alguém que não nos dá o devido valor, enquanto aqueles que nos deram, nós magoamos. “Só magoamos aqueles que amamos”, já dizia o ditado.

Mas, uma hora aprendemos a identificar melhor quem é quem na história da vida. Quem nos quer presentes em partes dela, e aqueles que querem que construamos sua história juntos.

“É bom quando estranhos se tornam amigos, mas é péssimo quando amigos se tornam estranhos.” E mais estranho é quando esses que se tornaram estranhos são os que mais precisamos que estejam ao nosso lado. Mas amizade é isso mesmo. É respeitar a vontade do outro e esquecer suas mancadas.

Queria eu que, aquele que foi magoado entendesse meu lado e não se tornasse um estranho. E o que se tornou estranho, fizesse visitas de vez enquando. E nessas visitas, fosse sincero quanto a presença que eu devo esperar.

Nunca iremos agradar a gregos e troianos. Já seria ótimo que nesse agrado e desagrado ninguém precisasse sair ferido. Por mais que se tente ser o único ferido da história, alguém acabará sofrendo por você não estar feliz.
E isso é o que mais nos prende às lembranças e incertezas.


Aline Zamboti

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Nós dois

Queria ter lhe conhecido antes, muito antes...
Para que nenhum de nós dois
tivesse medos ou cicatrizes.

Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.

Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração...

Queria ter te conhecido muito antes...
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos...

Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se...

Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes...
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos...

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora...
na hora certa?, no momento certo?...
eu não sei...

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre...
eu ficarei...!

Vilma Galvão

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Vida Minha

Posted by Aline Zamboti on 01:02 in , , ,
Olha lá vem o sol vai chegar novo dia
Lá vou eu inventar esperanças de novo
Passarinhos e carros na mesma avenida
É um cenário da luta diária de um povo

Nessa altura da vida eu não acho direito
Passar noites em claro assim relembrando
Fico eu no meu canto de um lado pro outro
Te adorando vida minha te adorando

Quando você me queria eu não quis
A cabeça estava em outro lugar
A felicidade em cima de mim
Bem ali debaixo do meu nariz
E eu não tive o dom de enxergar

Essa mistura de saudade e de dor
É um preço que eu cansei de pagar
Hoje mesmo eu vou atrás de você
Lá vou eu me desculpar outra vez
Na esperança de você perdoar

Daniel

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Viver é...

Posted by Aline Zamboti on 22:07 in , , , ,
Viver é .... saltar aquelas montanhas e aqueles vales contra tudo e todos... nadar na imensidão até à outra margem... Chegar, chegar mais longe (quando nos tinham aconselhado a parar pelo caminho)... conquistar, vencer, desbravar...

Sermos nós próprios...sempre...

Ana Canavarro

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Temperamento impulsivo

Posted by Aline Zamboti on 14:29 in , , , , ,
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.


Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Clarice Lispector


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Fácil e Difícil

Posted by Aline Zamboti on 19:52 in , , , , , , , , ,

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.

Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e, Difícil é segui-las...

Título original: Reverência ao destino (Carlos Drummond de Andrade)

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Mas há poucas coisas que eu me lembre

Posted by Aline Zamboti on 21:58

(...) Quer saber como eu sou para me aceitar? Vou me fazer conhecer melhor por você, disse com ironia. Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavaras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente mas profundamente colérico, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo. Nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrado?

(Clarice Lispector em Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres)

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Quando acaba

Posted by Aline Zamboti on 20:24
Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.
Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
‘ -Ah, terminei o namoro…
-Nossa, estavam juntos há tanto tempo……
-Cinco anos…que pena…acabou….
-é…não deu certo….’
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona.
Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…se não bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar…. ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela vem!
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração…..
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse.
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar… Ou se apaixonar… Ou se culpar…
Enfim…quem disse que ser adulto é fácil?

Arnaldo Jabour

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Satisfeito

Posted by Aline Zamboti on 13:09 in , , , ,
Você me deixou satisfeito
Nunca vi deixar alguém assim
Você me livrou do preconceito de partir
Agora me sinto feliz aqui


Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?
Vivo tranquilo, a liberdade é quem me faz carinho
No meu caminho não tem
pedras, nem espinhos
Eu durmo sereno e acordo com o canto dos passarinhos

Marisa Monte
Composição: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte

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Eu gosto do impossível

Posted by Aline Zamboti on 00:09 in , , , , , , ,

"Eu gosto do impossível, tenho medo do provável, dou risαdα do ridículo e choro porque tenho vontade, mas nem sempre tenho motivo. Tenho um sorriso confiante, que às vezes não demonstra o tanto de insegurança por trás dele. Sou inconstante e talvez imprevisível. Não gosto de rotina. Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso, e me irrito de forma inexplicável quando não botam fé nas minhas palavras. Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo. São poucas as pessoas pra quem eu me explico"

Bob Marley

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