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Meu sexto sentido

Posted by Aline Zamboti on 12:22 in , , , ,


Meu sexto sentido está gritando. Parece que meu peito pula ao ouvir seus gritos altíssimos. E sabe que ele nunca erra? Por mais que eu queira fingir que ele não existe, ele grita, esperneia, pula na minha frente, se joga na minha cara para eu não deixar de percebê-lo. Não sei se gosto ainda de ter o sexto sentido tão apurado, pois ele só me traz pressentimentos ruins. É incrível sua pontaria, é de dar inveja a qualquer atirador. Meu sexto sentido sempre aparece. Em níveis e em tempos diferentes. Pode ser como um suspiro, mas presente constantemente. Pode ser como uma histérica, gritando, pulando, enchendo o saco, literalmente. Por ser também como um belisco, dá uma vez e some, mas a dor continua. Pode aparecer antes de algo acontecer, depois que acontece, ou então, enquanto acontece. Meu sexto sentido consegue ser confundido com outras coisas. Mas quando é ele, não tem como não saber que é ele. Meu sexto sentido nunca falha. É incrível. Posso não colocar tudo a prova rapidamente, mas um dia a resposta vem. E sempre vem. Ele não sabe detalhar histórias, mas sabe muito bem definir sentimentos. Queria tanto que de vez em quando meu sexto sentido estivesse errado...

By Aline Zamboti

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Temperamento impulsivo

Posted by Aline Zamboti on 14:29 in , , , , ,
“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.


Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”


Clarice Lispector


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Até que ponto é o ponto

Posted by Aline Zamboti on 21:29 in , , , , , , , ,
Até que ponto é ponto de dizer não?!
E até que ponto é ponto de dizer sim!?

- dizer não para tanta coisa que nos faz bem só para ver o outro feliz;
- dizer não por medo;
- dizer não para não magoar alguém;
- dizer não para não se magorar;
- dizer não para a felicidade;
- dizer não para a saúde;
- dizer não para o amor;
- dizer não para o passado;
- dizer não quando é sim;
- dizer sim quando é não;
- dizer sim para o amor;
- dizer sim para o perdão;
- dizer sim para o forró;
- dizer sim para a família;
- dizer sim para Deus;
- dizer sim para o futuro;

Até que ponto dizer não para sua felicidade é certo? Fico pensando nas coisas que deixamos de fazer pensando nos outros e em que eu gostaria que os outros dissessem não por mim. Será que isso seria egosímo? Será que isso é se doar?



Uma hora, se descobre que a vida é feita de escolhas, e cada escolha levará para um caminho diferente. Nada volta a ser como era antes e as coisas não acontecerão da mesma forma. Às vezes pensamos que já sabemos todas as respostas, ai vem Deus, e muda todas as perguntas.

Me arrepender? Apenas das coisas que não fiz. Mas tudo o que fiz, assumo e arco com as consequências. Tentar ser sempre melhor. "Melhor que ontem, pior que amanhã". Luto hoje para ganhar o amanhã. Digo não hoje, para ver feliz meu irmão. Digo sim amanhã, por mim.



"Você faz suas escolhas, e suas escolhas fazem você." (Steve Beckman)

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Versões de mim

Posted by Aline Zamboti on 11:32 in , , ,
por Luiz Fernando Veríssimo

Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido.

Ah, se apenas tivéssemos acertado aquele número (unzinho e eu ganhava a sena acumulada), topado aquele emprego, completado aquele curso, chegado antes, chegado depois, dito sim, dito não, ido para Londrina, casado com a Doralice, feito aquele teste…

Agora mesmo neste bar imaginário em que estou bebendo para esquecer o que não fiz – aliás, o nome do bar é Imaginário – sentou um cara do meu lado direito e se apresentou:

- Eu sou você, se tivesse feito aquele teste no Botafogo

E ele tem mesmo a minha idade e a minha cara. E o mesmo desconsolo.

- Por que? Sua vida não foi melhor do que a minha?

- Durante um certo tempo, foi. Cheguei a titular. Cheguei a seleção. Fiz um grande
contrato. Levava uma grande vida. Até que um dia..

- Eu sei, eu sei… disse alguém sentado ao lado dele.

Olhamos para o intrometido… Tinha a nossa idade e a nossa cara e não parecia mais feliz do que nós. Ele continuou:

- Você hesitou entre sair e não sair do gol. Não saiu, levou o único gol do jogo, caiu em desgraça, largou o futebol e foi ser um medíocre propagandista.

- Como é que você sabe?

- Eu sou você, se tivesse saído do gol. Não só peguei a bola como me mandei para o ataque com tanta perfeição que fizemos o gol da vitória. Fui considerado o herói do jogo. No jogo seguinte, hesitei entre me atirar nos pés de um atacante e não me atirar. Como era um herói, me tirei… Levei um chute na cabeça. Não pude ser mais nada. Nem propagandista. Ganho uma miséria do INSS e só faço isto: bebo e me queixo da vida. Se não tivesse ido nos pés do atacante…

Ele chutaria para fora. Quem falou foi o outro sósia nosso, ao lado dele, que em seguida se apresentou.

- Eu sou você se não tivesse ido naquela bola. Não faria diferença. Não seria gol. Minha carreira continuou. Fiquei cada vez mais famoso, e agora com fama de sortudo também. Fui vendido para o futebol europeu, por uma fábula. O primeiro goleiro brasileiro a ir jogar na Europa. Embarquei com festa no Rio…

- E o que aconteceu? perguntamos os três em uníssono.

- Lembra aquele avião da VARIG que caiu na chegada em Paris?

- Você…

- Morri com 28 anos.

- Bem que tínhamos notado sua palidez.

- Pensando bem, foi melhor não fazer aquele teste no Botafogo…

- E ter levado o chute na cabeça…

- Foi melhor, continuou, ter ido fazer o concurso para o serviço público naquele dia. Ah, se eu tivesse passado…

- Você deve estar brincando.

Disse alguém sentado a minha esquerda. Tinha a minha cara, mas parecia mais velho e desanimado.

- Quem é você?

- Eu sou você, se tivesse entrado para o serviço público.

Vi que todas as banquetas do bar à esquerda dele estavam ocupadas por versões de mim no serviço público, uma mais desiludida do que a outra. As conseqüências de anos de decisões erradas, alianças fracassadas, pequenas traições, promoções negadas e frustração. Olhei em volta. Eu lotava o bar. Todas as mesas estavam ocupadas por minhas alternativas e nenhuma parecia estar contente. Comentei com o barman que, no fim, quem estava com o melhor aspecto, ali, era eu mesmo. O barman fez que sim com a cabeça, tristemente. Só então notei que ele também tinha a minha cara, só com mais rugas.

- Quem é você? perguntei.

- Eu sou você, se tivesse casado com a Doralice.

- E..?

Ele não respondeu. Só fez um sinal, com o dedão virado para baixo…

Creio que a vida não é feita das decisões que você não toma, ou as atitudes que você não teve, mas sim, aquilo que foi feito!

Se bom ou não, penso, é melhor viver do futuro que do passado!

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